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Instalação

Infraestrutura de ar-condicionado na obra: o que deixar pronto antes do gesso e do piso

Antes do gesso e do piso, deixe prontos: posição das unidades, eletroduto da frigorígena, dreno na pluvial, circuito exclusivo e suporte da condensadora.

SS Climatização
Infraestrutura de ar-condicionado na obra: o que deixar pronto antes do gesso e do piso

Antes de o gesso fechar e o piso assentar, uma obra que vai receber ar-condicionado precisa ter cinco itens definidos por ambiente: a posição exata da evaporadora e da condensadora, o eletroduto de espera para a tubulação frigorígena entre as duas, a tubulação de dreno com caimento contínuo até a rede pluvial, um circuito elétrico exclusivo com disjuntor próprio e um apoio estrutural dimensionado para o suporte da condensadora. Com a parede aberta, esses cinco itens são poucas horas de serviço. Com a obra acabada, cada um deles vira quebra de reboco, recorte de forro ou dreno aparente na fachada.

Atualizado em julho de 2026.

Este texto é um checklist de obra: o que precisa estar decidido em cada etapa, por que a etapa seguinte fecha a janela de correção e quais números dos manuais e das normas você deve exigir do instalador. Vale tanto para uma reforma de apartamento em Campinas quanto para uma casa em construção em Valinhos, Indaiatuba ou Paulínia.

O que precisa estar pronto em cada etapa da obra

A regra prática é simples: cada etapa de acabamento sela uma decisão de climatização. O erro clássico não é técnico, é de cronograma — chamar o instalador depois que o forro já está fechado.

Etapa da obraO que precisa estar definidoO que custa corrigir depois
Projeto / anteprojetoCarga térmica por ambiente, tipo de máquina (hi wall, cassete, duto), quantidade de equipamentos e posição de cada evaporadora e condensadoraApenas retrabalho de prancha, sem custo de obra
Estrutura e alvenariaFuros de passagem, shaft ou prumada, apoio para o suporte da condensadora, base de concreto no piso técnicoFuração em elemento estrutural pronto, refazer impermeabilização e rufos
Elétrica, antes do rebocoCircuito exclusivo por máquina, eletroduto do quadro até cada ponto, caixas de passagem, aterramento e reserva no quadroQuebrar reboco e pintura ao longo de todo o trecho, ou eletroduto aparente
Hidráulica, antes do contrapisoPonto de dreno de cada evaporadora, caimento contínuo e destino na rede pluvialLevantar contrapiso e piso, ou aceitar dreno aparente pela fachada
Forro de gessoPassagem da frigorígena e do dreno acima do forro, alçapão de inspeção sobre as conexõesRecortar o gesso, refazer emassamento e pintura do ambiente inteiro
Acabamento e mobíliaNada novo: apenas puxar cabos e tubos pelos eletrodutos já prontos

O trabalho de infraestrutura de climatização acontece nas linhas do meio dessa tabela — normalmente meses antes de o aparelho ser comprado.

Posicionamento: os erros que só aparecem quando o aparelho é ligado

A posição da evaporadora define insuflamento, ruído e acesso à manutenção, e nenhuma dessas três coisas se percebe olhando a planta. O ar deve percorrer o maior comprimento do ambiente, não bater a dois metros em um armário. Em quarto, o fluxo não deve incidir direto sobre a cama. Em sala com forro rebaixado, é preciso conferir se sobra folga acima do aparelho — os manuais de split hi wall pedem espaço livre superior para a tomada de ar de retorno, e um forro colado no gabinete estrangula a vazão.

Há ainda dois detalhes que só aparecem no primeiro ano: a evaporadora precisa de acesso frontal para retirada de filtros e de espaço para a bandeja de condensado ser removida na higienização. Aparelho encaixado entre viga e armário planejado, sem folga lateral, transforma uma limpeza de rotina em desmontagem de marcenaria.

Decida também, ainda na planta, se o ambiente vai receber hi wall aparente, cassete ou sistema de dutos. Cassete e duto exigem altura de forro, reforço de perfil metálico e alçapão — nada disso se improvisa depois que o gesseiro saiu.

Tubulação frigorígena: por que a distância entre as unidades importa

A linha frigorígena tem limites de comprimento e de desnível definidos pelo fabricante, e ultrapassá-los reduz capacidade, prejudica o retorno de óleo ao compressor e, em casos extremos, encurta a vida do equipamento. Os limites variam bastante por modelo, o que reforça a necessidade de escolher a máquina antes de furar a parede:

Referência do fabricanteComprimento mínimoComprimento máximoDesnível máximo
Split hi wall inverter 9.000/12.000 BTU/h (manual Midea/Carrier, linha 42AGV x 38AGV)2 m25 m equivalentes10 m
Split hi wall inverter 18.000/24.000 BTU/h (mesmo manual)2 m30 m equivalentes20 m
Split hi wall Daikin Advance individual3 m recomendados30 m20 m

Dados extraídos dos manuais de instalação dos próprios fabricantes; sempre confirme no manual do modelo comprado, porque cada linha tem sua tabela.

Dois pontos costumam passar batido na obra. Primeiro, o que vale é o comprimento equivalente, não o comprimento medido com trena: o manual da linha citada usa a fórmula C.M.E. = comprimento linear + (número de conexões × 0,3 m). Um trajeto de 11 metros cheio de curvas para contornar viga pode estourar o limite de um aparelho pequeno. Segundo, o raio de dobra do tubo não deve ser inferior a 100 mm, e curvas fechadas feitas na marra amassam o tubo e restringem o fluxo.

Na prática de obra, isso significa deixar um eletroduto ou conduíte de espera com diâmetro folgado entre evaporadora e condensadora, com o menor trajeto possível e o mínimo de curvas. E ele precisa ser exclusivo: a ABNT NBR 5410:2004 determina, no item 6.2.11.1.5, que nos eletrodutos só devem ser instalados condutores isolados, cabos unipolares ou multipolares — ou seja, tubo de cobre e mangueira de dreno não entram no eletroduto elétrico. Deixe um conduíte para a frigorígena, um para o dreno e um para a elétrica.

Quando a condensadora fica acima da evaporadora, o manual pede sifões na subida da linha de sucção a cada 3,0 metros, contados a partir da saída da evaporadora. Isso é execução do instalador, mas depende de espaço na prumada que a obra precisa reservar.

Vale lembrar que a interligação só se fecha com ensaio de estanqueidade e vácuo — procedimento tratado pela ABNT NBR 16655-2. Os manuais indicam vácuo estabilizado na faixa de 33,3 Pa a 66,7 Pa (250 μmHg a 500 μmHg), com tempo mínimo de estabilização de 20 minutos. Tubo emendado dentro de parede fechada, sem esse ensaio, é vazamento à espera de aparecer.

Dreno: o item que mais gera problema depois

O dreno é o campeão de chamado de garantia em obra nova, e por um motivo banal: ele funciona por gravidade. Não existe dreno “quase nivelado”. A tubulação precisa de declividade contínua da evaporadora até o destino, sem barriga, sem contra-caimento e sem sifão logo na saída do aparelho — os manuais de fabricante são explícitos ao proibir sifão imediatamente após a evaporadora.

O destino também tem regra. O manual de instalação orienta lançar a saída da drenagem na rede pluvial, nunca na rede de esgoto. Dreno ligado no esgoto devolve odor pela bandeja da evaporadora, e nenhuma higienização resolve isso — o problema é de tubulação, não de sujeira.

Checklist de dreno para a obra:

  • Definir o ponto de saída de cada evaporadora antes do contrapiso, com caimento contínuo até um ralo, caixa sifonada externa ou prumada pluvial.
  • Em teto de gesso, prever o tubo de dreno acima do forro já com caimento, e um alçapão de inspeção sobre o trecho das conexões.
  • Isolar termicamente a tubulação de dreno. O manual da Carrier especifica isolamento de no mínimo 5 mm de espessura para evitar condensação externa e gotejamento sobre o forro.
  • Testar antes de fechar: jogar água na bandeja e conferir o escoamento com a tubulação ainda acessível.
  • Evitar depender de bomba de dreno. Ela existe e resolve casos em que não há caimento possível, mas é um componente elétrico a mais, com manutenção e ruído próprios. Bomba deveria ser exceção de projeto, não remendo por falta de planejamento.

Energia: circuito exclusivo e dimensionamento

Ar-condicionado não divide circuito com tomada de sala. A ABNT NBR 5410:2004 é direta no item 9.5.3.1: “Todo ponto de utilização previsto para alimentar, de modo exclusivo ou virtualmente dedicado, equipamento com corrente nominal superior a 10 A deve constituir um circuito independente.” Qualquer split acima de 9.000 BTU/h em 220 V já se enquadra ou fica muito próximo desse limite, e os manuais reforçam: a alimentação deve ser feita por circuito elétrico independente, com disjuntor de fácil acesso após a instalação e aterramento pela unidade condensadora. As ligações devem obedecer à NBR 5410 — está escrito no próprio manual do equipamento.

O que a obra precisa deixar pronto:

  • Um circuito por máquina, saindo do quadro, com disjuntor próprio e espaço de reserva no quadro para o número final de aparelhos.
  • Condutor dimensionado pela corrente do equipamento e pelo comprimento do trecho, não pelo que sobrou do rolo.
  • Aterramento efetivo até o ponto da condensadora.
  • Eletroduto que permita puxar e retirar cabos depois. A NBR 5410 limita a taxa de ocupação a 53 % para um condutor, 31 % para dois e 40 % para três ou mais, e limita trechos contínuos sem caixa a 15 m internos e 30 m externos, reduzindo 15 m e 30 m em 3 m para cada curva de 90°. No mesmo trecho entre caixas, no máximo três curvas de 90°, somando até 270°.
  • Eletroduto de verdade. O item 6.2.11.1.1 da norma veda expressamente o uso, como eletroduto, de produtos que não sejam comercializados como tal — e a nota da norma cita nominalmente as “mangueiras”. Aquela mangueira corrugada preta enterrada no reboco não atende à norma.

Deixe também um ponto de energia acessível junto à condensadora. Manutenção com o disjuntor a três cômodos de distância é manutenção lenta e mais cara.

Condensadora: espaço, ventilação e acesso para manutenção

A condensadora troca calor com o ar ambiente. Se o ar quente que ela expulsa volta para a própria entrada, a pressão de condensação sobe, o consumo aumenta e o aparelho passa a desarmar em dias quentes. Esse é o erro mais caro da lista, porque quase sempre vem de uma decisão de arquitetura: nicho fechado, sacada com fechamento em vidro, área de serviço sem ventilação cruzada ou grade decorativa colada no gabinete.

Os manuais trazem afastamentos mínimos recomendados. Para split hi wall com ventilador frontal, a referência do fabricante consultado é de 300 mm nas laterais e na traseira, 600 mm em uma das laterais de serviço e 2,0 m livres à frente da descarga de ar. O mesmo manual proíbe instalar duas condensadoras uma de frente para a outra, e recomenda base de concreto firme com calços de borracha entre a máquina e a base, para evitar transmissão de ruído à estrutura.

O suporte tem norma própria. A ABNT NBR 16655-1:2018, que trata do projeto e da instalação de sistemas residenciais split e compactos com capacidade até 18 kW (60.000 BTU/h), estabelece requisitos mínimos para os suportes de fixação das unidades externas: o suporte deve resistir a 100 kg somados a duas vezes o peso da unidade e manter suas condições originais por, no mínimo, cinco anos, com resistência à radiação solar. Isso muda a conversa com o engenheiro de estrutura: o ponto de fixação precisa ser previsto na alvenaria ou no elemento estrutural, não resolvido com bucha em drywall.

Por fim, acesso. Condensadora em fachada, sem sacada ou passarela, obriga a manutenção por trabalho em altura com cadeirinha suspensa, atividade regida pela NR-35 do Ministério do Trabalho e Emprego, que se aplica a toda atividade executada acima de 2,00 m do nível inferior com risco de queda. É um serviço legítimo e necessário em muitos prédios — mas se dá para colocar a máquina em um ponto com acesso seguro, cada limpeza futura fica mais simples e mais barata.

Quando vale fazer projeto de climatização antes

Para uma casa com dois ou três splits, um levantamento de carga térmica pelo procedimento simplificado da ABNT NBR 16655-3 já resolve, e ele também estima o ponto de energia elétrica necessário. A partir daí, o projeto de climatização formal passa a compensar quando há pelo menos um destes fatores:

  • Mais de quatro ou cinco ambientes climatizados, ou sistema de dutos, cassete ou VRF.
  • Fachada envidraçada, cobertura sem laje, pé-direito alto ou grande ganho solar — situações em que a regra de bolso de BTU por metro quadrado erra feio.
  • Ambiente comercial, clínica, escritório ou condomínio, onde entram a ABNT NBR 16401-1:2024 (projeto das instalações, em vigor desde 19 de novembro de 2024, substituindo a versão de 2008 e trazendo requisitos mínimos de COP) e as partes 2 e 3, de conforto térmico e qualidade do ar interior. O catálogo oficial está no ABNT Catálogo.
  • Edificação de uso público ou coletivo, que já nasce obrigada a manter o Plano de Manutenção, Operação e Controle pela Lei 13.589/2018. Nesse caso vale desenhar a infraestrutura pensando no laudo PMOC desde o início: acesso a filtros, alçapões e pontos de coleta.
  • Reforma em condomínio, situação em que a ABNT NBR 16280 exige plano de reforma com responsável técnico entregue ao síndico antes do início dos serviços. Furo de fachada e suporte de condensadora entram nesse escopo.

Projeto assinado por profissional habilitado gera ART no CREA-SP, e é esse documento que dá lastro à conversa com construtora, síndico e seguradora.

Quando a SS Climatização não é a melhor escolha

Três situações em que você deve procurar outro caminho:

  1. Equipamento novo dentro da garantia de fábrica. Se o aparelho ainda está coberto e apresentou defeito, o atendimento correto é o da assistência técnica autorizada da marca. Intervenção de terceiros pode invalidar a garantia. Nesse cenário, procure a autorizada primeiro — não nós.
  2. Obra de grande porte com projeto executivo já contratado. Empreendimentos com sistema VRF ou água gelada, projetados por escritório de engenharia com corpo técnico próprio, normalmente já têm instaladora vinculada ao pacote. Entrar no meio desse contrato costuma criar mais interface do que valor.
  3. Documentação de reforma em condomínio. O plano de reforma da NBR 16280 é responsabilidade do proprietário e do responsável técnico por ele designado. Nós executamos a parte de climatização e fornecemos as informações técnicas, mas não substituímos o engenheiro ou arquiteto responsável pela reforma.

Perguntas frequentes

Em que momento da obra devo chamar a empresa de climatização?

Idealmente na fase de projeto, antes de a elétrica ser passada. O último momento útil é antes do fechamento do forro de gesso e do assentamento do piso, porque é aí que dreno, eletroduto e passagem da frigorígena ficam inacessíveis. Chamar depois do acabamento significa aceitar tubulação aparente ou quebra de superfícies prontas.

Preciso comprar o ar-condicionado antes de fazer a infraestrutura?

Não é obrigatório comprar, mas é preciso definir a capacidade e o tipo de cada equipamento. Comprimento máximo de linha, desnível e corrente elétrica variam por modelo: um split de 9.000 BTU/h pode admitir 25 m equivalentes e 10 m de desnível, enquanto um de 24.000 BTU/h chega a 30 m e 20 m no mesmo manual. Sem essa definição, a infraestrutura é feita no escuro.

Posso passar a tubulação de cobre dentro do mesmo eletroduto da fiação?

Não. A ABNT NBR 5410:2004, item 6.2.11.1.5, determina que nos eletrodutos só sejam instalados condutores isolados, cabos unipolares ou multipolares. A prática correta é deixar conduítes separados para a linha frigorígena, para o dreno e para a alimentação elétrica, cada um com diâmetro que permita puxar e retirar o conteúdo depois.

Qual a inclinação correta do dreno e para onde ele deve ir?

O dreno funciona por gravidade e precisa de declividade contínua, sem trechos nivelados ou em contra-caimento, e sem sifão imediatamente após a saída da evaporadora. Os manuais de fabricante orientam lançar a saída na rede pluvial e não na rede de esgoto, para evitar retorno de odor. O tubo deve ser isolado — a Carrier especifica no mínimo 5 mm de espessura de isolamento.

Cada ar-condicionado precisa mesmo de disjuntor próprio?

Sim, na prática. A NBR 5410 exige circuito independente para todo ponto que alimente, de modo exclusivo ou dedicado, equipamento com corrente nominal superior a 10 A, e os manuais dos equipamentos pedem circuito independente com disjuntor de fácil acesso e aterramento. Compartilhar o circuito com iluminação ou tomadas causa desarme e queda de tensão na partida.

Posso instalar a condensadora dentro de um nicho fechado por questão estética?

Só se o nicho garantir entrada de ar fresco e saída livre do ar quente, respeitando os afastamentos do manual — na referência consultada, 300 mm nas laterais e traseira e 2,0 m livres à frente da descarga. Nicho fechado, grade colada no gabinete ou duas condensadoras de frente uma para a outra provocam recirculação de ar quente, aumento de consumo e desarme em dias quentes.

Fale com quem executa

Se sua obra ou reforma está em andamento e a climatização ainda não foi definida, o momento de resolver é agora, com a parede aberta. A SS Climatização faz infraestrutura, projeto e instalação em Campinas e região, com atendimento de segunda a sábado, das 07:00 às 18:00. Fale pelo WhatsApp (19) 99263-2687 ou pelo e-mail ssclimatizacao23@gmail.com e envie a planta ou as fotos da obra — dá para adiantar bastante coisa antes da visita. Confira as cidades atendidas: Campinas e região.

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