Ar-condicionado não gela: 8 causas, o que checar e quando chamar técnico
Ar-condicionado não gela? Veja as 8 causas em ordem de probabilidade, o checklist de 5 minutos antes de chamar o técnico e a ordem de custo dos reparos.
Ar-condicionado que liga e sopra ar, mas não gela, tem quase sempre uma destas oito causas — listadas aqui em ordem de probabilidade: filtro sujo, serpentina da evaporadora suja ou congelada, condensadora obstruída ou exposta ao sol, modo de operação errado no controle, falta de gás causada por vazamento, falha no capacitor ou no compressor, sensor de temperatura (termistor) com defeito e, por último, aparelho subdimensionado ou mal instalado. As quatro primeiras causas você consegue verificar sozinho em cerca de cinco minutos, sem ferramenta e sem custo. As quatro últimas exigem técnico com manifold, alicate amperímetro e detector de vazamento — não há como diagnosticar no olho.
Atualizado em julho de 2026.
Antes de tudo: o que você não deve mexer
Existe uma linha clara entre o que é seguro fazer e o que não é. Você pode abrir a tampa frontal da evaporadora, remover e lavar os filtros de tela e limpar a área ao redor da condensadora. Isso está previsto no manual de qualquer fabricante.
Você não deve: abrir a carcaça da unidade, mexer na placa eletrônica, encostar em capacitor (ele armazena carga elétrica mesmo com o aparelho desligado da tomada), tentar completar gás com kit de lata comprado na internet, nem raspar gelo da serpentina com objeto metálico — as aletas de alumínio amassam com facilidade e uma aleta amassada reduz a troca térmica de forma permanente.
Se a condensadora estiver em fachada, sacada externa ou telhado sem acesso seguro, não improvise. Trabalho em altura no Brasil é regido pela NR-35 e exige profissional treinado e equipamento apropriado, como no caso dos serviços com cadeirinha suspensa. Queda de altura é a principal causa de acidente fatal nesse tipo de manutenção.
Checklist de 5 minutos antes de chamar o técnico
Faça nesta ordem. Cada item elimina uma hipótese e o custo é zero.
- Confira o modo no controle. O ícone de floco de neve é refrigeração. O ícone de ventoinha é apenas ventilação — nesse modo o compressor nem liga e o aparelho sopra ar na temperatura ambiente. Modo automático em dia ameno também pode manter o compressor desligado.
- Confira a temperatura ajustada. Se está em 26 °C e o ambiente está em 25 °C, o aparelho não vai ligar o compressor. O Inmetro orienta ajustar o termostato em torno de 23 °C como ponto de equilíbrio entre conforto e consumo, conforme orientação divulgada pelo instituto.
- Retire e olhe os filtros. Se a tela está acinzentada ou com camada de poeira visível, esse é provavelmente o seu problema. Lave em água corrente, deixe secar à sombra e recoloque seco.
- Vá até a condensadora. Ela precisa de espaço livre para jogar calor fora. Verifique se não há entulho, planta, roupa estendida, caixa ou parede a menos de um palmo da grade de saída.
- Encoste a mão na saída de ar da evaporadora e depois em uma tubulação de cobre. Se o ar sai em temperatura ambiente e a tubulação está seca e morna, o compressor não está refrigerando. Aí a causa está no grupo que exige técnico.
Se nada disso resolveu, o diagnóstico passa a exigir instrumento. É o momento de acionar manutenção corretiva.
As 8 causas, uma a uma
1. Filtro de ar sujo
É a causa mais comum de todas e a mais barata de resolver. O filtro entupido reduz o volume de ar que passa pela serpentina. Com menos ar passando, a serpentina fica gelada demais e o aparelho perde capacidade de resfriar o ambiente — em casos avançados, forma gelo. O sintoma clássico é “está gelando pouco e o fluxo de ar diminuiu”. Limpeza a cada 15 a 30 dias em uso residencial normal resolve.
2. Serpentina da evaporadora suja ou congelada
Filtro limpo não garante serpentina limpa. Poeira fina, gordura de cozinha e biofilme atravessam a tela e se depositam nas aletas, formando uma camada isolante. Essa sujeira não sai com pano nem com jato de água doméstico: exige higienização profunda com desmontagem, produto específico e coleta da água de lavagem.
Se já houver gelo visível na serpentina, desligue o aparelho e deixe descongelar por algumas horas antes de qualquer teste. Aparelho gelando por fora quase nunca significa “está gelando bem” — significa restrição de fluxo de ar ou carga de gás incorreta.
3. Condensadora obstruída, suja ou ao sol
A unidade externa precisa dissipar o calor retirado de dentro. Se a serpentina externa está tomada de poeira, se há obstáculo bloqueando a descarga de ar ou se ela recebe sol direto o dia inteiro sem ventilação, a pressão de condensação sobe, o rendimento cai e o aparelho pode até desarmar por proteção. Sombreamento com boa circulação ajuda; fechar a condensadora dentro de um armário ou caixa, ao contrário do que parece intuitivo, piora muito o desempenho.
4. Modo ou ajuste errado no controle
Parece banal, mas é responsável por uma parcela relevante dos chamados. Além do modo ventilar, verifique se não há timer programado, se o “sleep” não está subindo a temperatura sozinho durante a noite e se o controle não está em modo desumidificar (dry), que reduz umidade com pouca capacidade de resfriamento.
5. Falta de gás — que sempre significa vazamento
Este é o ponto que mais gera prejuízo ao consumidor, então vale ser direto: o sistema de refrigeração é selado e o gás não se consome com o uso. Se falta gás, existe um vazamento. O próprio guia de preços do Cronoshare formula assim: “o gás não acaba — ele vaza”.
Consequência prática: recarregar sem localizar e corrigir o vazamento é dinheiro jogado fora. O gás vai embora de novo, o prazo depende só do tamanho do furo, e enquanto isso o compressor trabalha com lubrificação e resfriamento insuficientes — é assim que uma falha barata vira troca de compressor. O procedimento correto está normatizado na ABNT NBR 16655-2, que trata de ensaio de estanqueidade, desidratação e carga de fluido frigorífico. Técnico que chega, conecta o manifold e completa o gás sem teste de estanqueidade está pulando a norma.
Se o seu aparelho é antigo e usa R-22, some a isso o custo: o HCFC-22 está em eliminação progressiva no Brasil sob o Protocolo de Montreal, com controle do Ibama, e a oferta restrita elevou muito o preço da carga frente a R-410A e R-32.
6. Capacitor ou compressor com falha
O capacitor é a peça que dá o “empurrão” de partida ao compressor. Quando enfraquece, o sintoma é típico: a ventilação funciona normalmente, mas o compressor tenta partir, faz um zumbido e desiste — ou liga e desarma em poucos minutos. É uma peça relativamente barata.
O compressor em si é a falha mais cara do aparelho. Sintomas: compressor que não parte mesmo com capacitor novo, ruído metálico anormal, ou aquecimento excessivo com desarme repetido do disjuntor. Nenhum dos dois é serviço para o usuário — envolve parte elétrica energizada e recolhimento de fluido refrigerante.
7. Sensor de temperatura (termistor) com defeito
O termistor informa à placa a temperatura do ar de retorno e da serpentina. Quando ele lê errado, a placa toma decisões erradas: desliga o compressor cedo demais, mantém o aparelho ventilando sem refrigerar ou entra em ciclo de degelo sem necessidade. O sintoma característico é o aparelho gelar de forma inconsistente, sem relação com a temperatura real do ambiente. Muitas vezes não há código de erro no display.
8. Aparelho subdimensionado ou mal instalado
Se o aparelho nunca gelou direito desde o primeiro dia, o problema provavelmente não é defeito — é projeto. O cálculo de carga térmica residencial tem método próprio na ABNT NBR 16655-3, e em instalações comerciais o dimensionamento segue a ABNT NBR 16401. Insolação, número de pessoas, equipamentos que geram calor, pé-direito e área envidraçada mudam completamente o resultado. Estimar BTUs “por metro quadrado” é a origem de boa parte dos aparelhos que rodam o dia inteiro sem atingir a temperatura.
Instalação também derruba desempenho: tubulação mais longa do que o fabricante permite sem complementação de carga, isolamento térmico mal executado, desnível incorreto entre unidades e — o erro mais frequente — vácuo não realizado antes da abertura das válvulas. Umidade e ar dentro do circuito degradam o óleo e reduzem a capacidade. A ABNT NBR 16655-1 cobre projeto e instalação, incluindo requisitos de suportes da unidade externa e a exigência de circuito elétrico e disjuntor dedicados por equipamento. Quando o diagnóstico aponta para essa raiz, a solução passa por refazer a instalação ou por um projeto de climatização, não por reparo pontual.
Tabela: sintoma exato, causa provável e quem resolve
| Sintoma exato | Causa provável | Você resolve ou técnico? |
|---|---|---|
| Sopra ar, mas em temperatura ambiente; fluxo fraco | Filtro sujo | Você |
| Sopra ar frio fraco e o consumo subiu | Serpentina da evaporadora suja | Técnico (higienização) |
| Gela no início e vai piorando ao longo do dia | Condensadora suja ou sem ventilação | Técnico (limpeza) |
| Não gela nunca e o compressor nunca liga | Modo ventilar, timer ou temperatura mal ajustada | Você |
| Gelo branco na tubulação ou na serpentina | Restrição de ar ou carga de gás incorreta | Técnico |
| Gelava bem e foi perdendo capacidade em semanas | Vazamento de gás | Técnico |
| Ventilação liga, compressor zumbe e não parte | Capacitor | Técnico |
| Compressor liga e desarma o disjuntor em minutos | Compressor ou circuito elétrico | Técnico |
| Gela de forma inconsistente, sem lógica | Sensor / termistor | Técnico |
| Nunca gelou bem desde a instalação | Subdimensionamento ou instalação irregular | Técnico (projeto) |
“Solta ar mas não gela” x “não liga” x “gela e para”
Esses três relatos apontam para grupos de causa diferentes, e separá-los encurta o diagnóstico.
Solta ar mas não gela. A parte elétrica de comando e o motor do ventilador estão funcionando; o que não está atuando é o circuito de refrigeração. Suspeite, nesta ordem: modo errado no controle, filtro/serpentina, falta de gás, capacitor, compressor.
Não liga nada. O problema é anterior à refrigeração: disjuntor desarmado, tomada, fonte da placa, controle sem pilha ou placa eletrônica. Aqui não faz sentido falar em gás.
Gela e para depois de um tempo. Este é o padrão mais informativo. Se para e volta em ciclos curtos, suspeite de sensor, de proteção por alta pressão (condensadora suja ou sem ventilação) ou de sobrecarga elétrica. Se para depois de uma ou duas horas e só volta muito tempo depois, a hipótese mais forte é congelamento da serpentina — que remete a fluxo de ar restrito ou carga de gás incorreta.
Ordem de custo dos reparos, do mais barato ao mais caro
Não publicamos tabela de valores porque orçamento de corretiva depende do modelo, da capacidade, do acesso ao equipamento e do que o diagnóstico encontra — e faixa publicada envelhece rápido, sobretudo a de gás. O que ajuda a decidir é a ordem de grandeza relativa:
- Pequenas avarias — sensor, fusível, filtro. É o piso da tabela de qualquer empresa. Costuma sair pelo valor de uma visita técnica.
- Dreno e vazamento de água. Desobstrução e correção de caimento. Barato quando o acesso é fácil; encarece se houver forro a abrir.
- Termostato e componentes elétricos de giro — capacitor, contatora. Peça de custo previsível, mão de obra curta.
- Detecção e reparo de vazamento de gás, com nova carga. Aqui o custo deixa de ser previsível: depende de onde está o furo e de quantos pontos de solda o circuito precisa.
- Compressor. É o extremo, e o único reparo em que vale checar se compensa consertar. Em aparelho de maior capacidade, a troca com recolhimento de fluido e nova carga se aproxima do preço de um equipamento novo.
Duas ressalvas que valem mais que um número. A primeira: o custo da carga varia muito com o gás — a restrição de oferta do R-22 encareceu a recarga em ordem de grandeza frente a R-410A e R-32, e é um dos motivos para trocar o equipamento em vez de insistir no antigo. A segunda: peça o orçamento depois do diagnóstico, com o defeito nomeado. Valor fechado por telefone, antes de alguém medir pressão, é chute — e chute na climatização erra sempre para cima depois.
Quando a SS Climatização não é a escolha certa
Duas situações em que o melhor caminho não passa por nós:
Aparelho dentro da garantia de fábrica. Se o equipamento ainda está no prazo de garantia do fabricante, procure a assistência técnica autorizada da marca. Intervenção de terceiros normalmente extingue a garantia, e você pagaria por um reparo que teria direito a fazer sem custo.
Compressor queimado em aparelho antigo e de baixa capacidade. Em um split de 9.000 ou 12.000 BTU/h com muitos anos de uso, o custo de troca do compressor somado à nova carga de gás frequentemente se aproxima do preço de um aparelho novo — que ainda virá com melhor classificação na etiqueta do Programa Brasileiro de Etiquetagem, do Inmetro, e possivelmente com Selo Procel. Nesses casos dizemos isso no orçamento, mesmo perdendo o serviço.
Como evitar que aconteça de novo
- Limpe os filtros a cada 15 a 30 dias. É a manutenção de maior retorno e custa zero.
- Faça higienização profunda a cada 6 meses, ou em intervalo menor em cozinha, ambiente com pet, obra por perto ou uso intensivo.
- Não deixe a condensadora enclausurada. Espaço livre para entrada e saída de ar é requisito de funcionamento, não estética.
- Trate qualquer perda gradual de desempenho como suspeita de vazamento, não como “precisa completar o gás”.
- Em ambiente comercial, condomínio, clínica ou indústria, o PMOC não é opcional: a Lei 13.589/2018 torna obrigatório o Plano de Manutenção, Operação e Controle em edifícios de uso público e coletivo com ambientes climatizados artificialmente. Os padrões de qualidade do ar interior em ambientes não residenciais estão na ABNT NBR 17037, e ambientes de serviços de saúde seguem ainda a ABNT NBR 7256. Nesses casos, contratos de manutenção preventiva programada evitam justamente o cenário de parada não planejada.
Perguntas frequentes
Ar-condicionado que não gela é sempre falta de gás?
Não, e essa é a suposição que mais faz gente gastar à toa. Filtro sujo, serpentina suja, condensadora obstruída e modo errado no controle, somados, respondem por mais chamados do que falta de gás. Só depois de eliminar essas hipóteses faz sentido investigar carga de refrigerante — o que exige medição de pressão e superaquecimento, não achismo.
Posso só completar o gás sem procurar o vazamento?
Pode, mas é jogar dinheiro fora. O circuito é selado e o gás não se consome com o uso: se o nível caiu, há vazamento. Sem correção, a carga nova vai embora pelo mesmo ponto. Pior, operar com carga baixa prejudica a lubrificação e o resfriamento do compressor, transformando um reparo barato em uma troca cara. A ABNT NBR 16655-2 prevê o ensaio de estanqueidade justamente antes da carga.
Quanto tempo o aparelho leva para gelar depois de ligado?
Em um ambiente residencial com o aparelho corretamente dimensionado, você deve sentir ar nitidamente frio na saída em poucos minutos, e a temperatura ajustada costuma ser atingida entre 15 e 30 minutos, dependendo do calor acumulado e da vedação do ambiente. Se depois de meia hora o ambiente não muda, há um problema real — não é “questão de esperar mais”.
Formou gelo na serpentina. O que faço?
Desligue o aparelho e deixe descongelar naturalmente por algumas horas, com um pano ou recipiente para a água que vai escorrer. Não raspe o gelo nem use secador ou água quente — as aletas de alumínio deformam com facilidade. Depois de descongelado, limpe o filtro e teste. Se o gelo voltar, o diagnóstico é técnico: restrição de fluxo de ar ou carga de gás incorreta.
Vale mais a pena consertar o compressor ou trocar o aparelho?
Depende da idade e da capacidade. Em aparelhos de menor capacidade e com muitos anos de uso, o custo de compressor mais carga de gás costuma chegar perto do preço de um equipamento novo, que ainda consome menos energia. Em equipamentos maiores, comerciais ou recentes, o reparo geralmente compensa. Peça o orçamento das duas alternativas antes de decidir.
De quanto em quanto tempo devo fazer higienização?
Para uso residencial, a cada 6 meses é o intervalo de referência. Em cozinha, ambiente com animais, região empoeirada, obra próxima ou uso intensivo, o intervalo cai. Em ambientes comerciais e de saúde a periodicidade não é escolha do usuário: ela é definida no PMOC, conforme a Lei 13.589/2018 e as normas técnicas aplicáveis.
Se o checklist de cinco minutos não resolveu, o próximo passo é medição — e isso pede técnico com instrumento. A SS Climatização atende com diagnóstico e reparo em Campinas e região, incluindo Campinas e região. Descreva o sintoma exato pelo WhatsApp (19) 99263-2687 — quanto mais preciso o relato, mais rápido o diagnóstico. Veja também as áreas de atendimento e o contato.